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8/7/2012 . América Latina desunida é pasto para o imperialismo por Leonel Brizola Neto


A linguagem enganosa da impressa quando fala de Hugo Chávez, refere-se a um “déficit de democracia”. Meu Deus, o que é isso? Ora, Chávez é um viciado no exercício democrático, promovendo uma eleição atrás da outra na Venezuela.

O problema é que a direita usa a palavra democracia como sinônimo de capitalismo, então uma política anti-capitalista é considerada uma política antidemocrática. Na verdade o capitalismo é contra a democracia, a essência do capitalismo é expandir a acumulação de capital, com ou sem democracia.
A posição de Chávez na América Latina tem antecedentes ilustres como Alvarado no Peru (que foi assessorado por Darcy Ribeiro) e Leonel Brizola, que aplaudiu em Punta del Leste o discurso de Che Guevara denunciando a inocuidade da Aliança para o Progresso e os clichês burocráticos usados pelos economistas tecnocratas. Buscar ajuda dos ricos? Darcy dizia que não queria entrar no clube dos ricos. Esse caminho é uma roubada, como dizia o compositor pedetista Zé Keti, grande poeta popular da cidade do Rio de Janeiro.
Na década de 60 Kennedy jogou pesado contra a América Latina, a despeito de gozar da fama de ser um democrata, ou seja, um democrata a serviço das grandes corporações multinacionais. Como aliás foi Foster Dulles, o principal acionista da United Fruit, a odiada “Mamá Yunay”, que derrubou o presidente Arbenz Guzmán na Guatemala em 1954. O embaixador Kissinger seguiu o mesmo passo de Dulles quando mandou metralhar Salvador Allende em 1973 no Palácio de La Moneda. Este embaixador também iria conspirar contra o programa Pró-álcool mentalizado pelo patriota J.W. Bautista Vidal.
Depois de Kennedy ter aprontado o diabo, o mister Clinton não deixou por menos quando organizou o plano Colômbia (plano geopolítico para impedir a união da América do Sul com o Caribe). Assim como Fernando Henrique jogou pesado contra a emancipação continental proposta por Hugo Chávez.
Há outros antecedentes chavistas como Getúlio Vargas e Perón. Vargas em 54 foi derrubado pela Standard Oil, que hoje é a Exxon Mobil Corporation. Um ano depois Perón foi derrubado na Argentina pelo imperialismo inglês, os mesmos bancos Baring Brothers e Morgan que financiaram a Guerra do Paraguai e derrubaram Solano Lopes, uma das figuras mais notáveis da história da América Latina, segundo o historiador Jorge Abelardo Ramos que considerava “figura funesta” Raúl Prebisch, o diretor anti-peronista do Banco Central argentino a soldo do imperialismo saxônico.
Este tal Prebisch é o guru de José Serra, assim como Fernando Henrique Cardoso é o antípoda de Sandino, Zapata e Cárdenas, o presidente mexicano que deu asilo a Leon Trotsky em 1937. Exílio este que teve implicações profundas no pensamento latino-americano, pois Trostky (dentre todos os clássicos do marxismo, incluindo Lênin) foi o único que estudou a fundo a América Latina.
Pouca gente sabe que entrevistado pelo argentino Mateo Fossa em 1938, Trotsky comentou que entre o regime “semi-facista” do Estado Novo varguista e o “imperialismo democrático” inglês, não vacilaria em apoiar Getúlio Vargas.
A história do Brasil deve ser revista em função da América Latina, como dizia o uruguaio Vivián Trías, para que a historiografia não fique na mão de “vende-pátria”, conforme o neologismo criado por Arturo Jauretche.
Da Bolívia o intelectual René Zavaleta matou a cobra e mostrou o pau, desmistificando a tal da teoria da dependência que FHC alardeou por todos os cursos de ciências sociais. Esta dependência é um engodo conceitual e um embuste semântico, a solução para a América Latina é tida como a administração da dependência. Ao invés de suprimi-la, conviver com ela. É isso a essência do tucanismo.
Leonel Brizola, ao contrário, queria cerrar este modelo da dependência, cortar as pernas dos entreguistas. O seu nome permanece inscrito na lista dos libertadores da Pátria Grande.


 
 
Instituto del Pensamiento Nacional Latinoamericano
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